Blog

11 Junho, 2021 by Sem categoria

Mini

Quem diria que um simples carro de economia acabaria por ser um dos carros mais reconhecidos de todos os tempos. Toda as pessoas desde crianças a idosos, fãs de carros ou não, sabem o que é um Mini. Os que tiveram um têm sempre histórias para contar e os que não tiveram desejam ter, mas porque será? Talvez a sua forma adorável que não parece nem machista nem feminista e a sua “pequenez” tenham tido um grande papel.

Morris Mini (1972)

O Mini foi desenhado por um senhor chamado Alec Issigonis com o objetivo de ser “o carro do povo” britânico, tal como os italianos tinham o Fiat 500 e os franceses tinham o Citroen 2CV e a Renault 4. Ora para se desenhar um carro para o povo, este precisa de ser prático, pequeno, económico e barato, tal como os rivais italianos e franceses eram, cada um à sua maneira. A ideia que o senhor Issigonis teve foi fazer o carro o mais compacto possível de forma a ser leve e usar o mínimo de materiais possível, mas ao mesmo tempo fornecer espaço suficiente aos ocupantes. Para atingir as suas exigências, o carro tem um motor transversal em vez de longitudinal para ajudar a reduzir o comprimento do capô do carro. Isto pode não soar como uma coisa vanguardista, mas foi este carro que popularizou este conceito e que hoje é utilizado por praticamente todos os carros citadinos. Para alem do motor transversal, os painéis do carro eram montados ao contrário, ou seja, o carro era construído de fora para dentro e não de dentro para fora como todos os outros carros. A prova disso são os vincos que o carro possui á frente da porta do condutor e ao pé da luz traseira (ver imagem acima) que supostamente não deviam ser visíveis se o carro fosse construído com um método mais tradicional.

Mini cortado ao meio

Esta fanática ambição por compactidade fez com que o Mini fosse um excelente carro citadino e também um excelente carro para o desporto motorizado, pois mesmo com um tempo dos 0 aos 100 km/h de 13 segundos, as suas dimensões e construção faziam com que o carro fosse um autêntico kart de tração à frente, dando uma total confiança ao piloto para mandar o carro para dentro de uma curva à velocidade que ele desejava. O Mini, por exemplo, conseguiu ganhar o rali de Monte Carlo em 1964, 1965 e 1967 contra Porsches e Lancias, tudo por causa da capacidade que o carro tinha de virar e manter a sua velocidade em curva. Para alem disso, o Mini também alcançou títulos nos campeonatos de turismo europeu e britânicos e ganhou provas de endurance na Australia.

Mini Cooper S – Rali de Monte Carlo 1965

O Mini original teve 7 gerações diferentes e esteve em produção um total de 41 anos, o que é considerado bastante tempo tendo em conta que atualmente cada carro é substituído, em média, a cada 7 anos. Foram produzidos por 10 entidades diferentes onde 3 delas eram britânicas e as outras 7 eram internacionais, a maioria em colónias britânicas.

Innocenti Mini (1974) – uma versão italiana do Mini e uma das entidades internacionais

A primeira versão do Mini começou a ser construído em 1959 pela British Motor Company e foi vendido inicialmente sob as duas marcas da BMC, a Austin e a Morris, passando a ter o seu próprio nome quando a BMC criou a British Leyland, que é conhecida como um autêntico desastre no ramo da indústria automóvel. O Mini acabaria por ser a única historia de sucesso vinda desta união automóvel britânica que acabaria por ser separada e vendida aos bocados em 1986. A partir daí a produção do Mini foi feita pela Rover até outubro de 2000 em que se produziram as últimas unidades e a dinastia acabaria.

Rover Mini (1998)

Esta saga Mini com tantas versões e marcas diferentes ainda conseguiu ter alguns spin-offs, com adaptações do carro normal para a criação de outros tipos de veículo. Começando pela Mini Van (que passou a ser o Mini 95 a partir de 1978), que era uma carrinha comercial e com capacidade de transportar 250 Kg, algo inédito tendo em conta o tamanho microscópico. Foram produzidas cerca de 500 000 unidades.

Austin Mini Van (1969)

Foi também feita uma versão familiar da Mini Van, o Mini Countryman (futuramente o Mini Clubman).

Austin Mini Countryman (1963)

Houve também o Mini Moke, o hippie da família. Foi criado para utilização militar e tinha uma capacidade de percorrer subidas na ordem dos 50% de inclinação, mas como não tinha distância ao solo suficiente, acabou por ser mais bem-sucedido no mercado civil, que o viu como um excelente carro para ir à praia (ou como carros da polícia em certos países mais paradisíacos). Foram produzidas cerca de 50 000 unidades, uma parte delas em Portugal.

Mini Moke (1984)

E finalmente a Mini Pick-up, que é exatamente o que o nome sugere e é talvez a pick-up mais adorável de sempre.

Mini Pick-up (1972)

Durante as suas quatro décadas de produção, o Mini tornou-se um dos carros mais influentes do século XX e ganhou vários prémios como “carro do século” europeu e segundo carro mais influente do século XX, atrás do Ford Model T, que foi o primeiro carro a ser produzido em massa.

No entanto, o fim da produção em 2000 não seria o fim da Mini como marca, pois a BMW adquiriu a Rover Group em 1994 e ficou apenas com a marca Mini quando praticamente regurgitou a Rover e vendeu maior parte do grupo. Os primeiros Minis da nova dinastia começaram a ser vendidos em 2001, mas mesmo com versões melhoradas que foram estreando ao longo dos anos, estes nunca conseguiram cativar o publico da mesma maneira que o original e nunca conseguiram obter os seus níveis de encanto e de desejabilidade, isto porque os Minis de hoje são como os BMW de hoje, são carros desenhados apenas para objetivos comerciais, e que vão perdendo a alma à medida que o tempo passa.

Mini One (2001)

Nenhuma das marcas tem a desejabilidade que tinha há 15 anos, mas a Mini é quem tem mais a perder com isso. Dá uma certa pena um carro tão alegre e reconhecido como o Mini acabaria por ter uma versão moderna que pouco ou nada lembra o original, mas, no entanto, talvez nos devêssemos sentir agradecidos pelo facto que a Mini ainda existe.

Mini Cooper S (2018)

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

We are building for tomorrow because tomorrow is the future and we want to make a contribution to the wonderful digital age that is awaiting us.